15/08/2017

Portento diminuto

Vi uma joaninha depois de muito
muito tempo
não sei dizer se estava ocupado demais para vê-la
ou se ela simplesmente sumiu por conveniência
fato é que só depois de muito tempo
outra vez a vi
repleto de saudades
quis conversar
contei coisas
busquei lembranças
gastei gestos e expressões
depois senti-me tolo por fazê-lo
percebendo a joaninha calada e indiferente
acreditei por acreditar que saudade nela não se manifesta
porque não há espaço
porque toda ela é joaninha
e é preciso continuar assim
para retribuir o que a existência oferece-lhe
como forma de gratidão
vive morre e embeleza a vida
de quem não se basta
e carece de miudezas pra sobreviver
à constatação de não ter feito nenhuma falta

fomos embora
sem nenhum tamanho.

Um comentário:

Marcos Satoru Kawanami disse...

É, a joaninha é um inseto legal.

:)