A FALANGE:

Prezado leitor, com muito prazer lhe apresento A FALANGE (em maiúsculas mesmo, pra dar status), um grupo de escritores imaginários que apesar de ser um grupo e coisa e tal, não estão fechados em manifestos, ideais revolucionários ou algo do gênero, para não se criar limites para a criatividade (o que, contraditoriamente, é um limite. Todavia, minha limitada capacidade cognitiva não me permite perceber isso, e prefere deixar esse deslize passar em branco pelo fino prazer de sentir-se imperfeita, e com isso, mais humana.)

São membros desse grupo: Paulo (o perturbado), Vitor (o verme), Floriano (o feliz), Da (a dama) e Cruz (o cadáver).

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Fragmentos odiosos (eu te odeio)

Eu te odeio porque sou levado a preferir o seu ódio
a seu ar de pena e compaixão
por mim
e por minha idiotice em insistir em ser tão idiota

...

eu te odeio porque eu não sou capaz
de ficar perto de você
sem ter vontade de te beijar a boca
e te carregar comigo
pra um lugar longe de tudo e de todos
seguro de todo o mal
como se eu fosse mesmo um príncipe encantado

...

eu te odeio porque você não percebe
o quanto me machuca ao me pedir
perdão por nunca ter sentido nada por mim
e eu não ser capaz de responder a altura
te falando a mesma coisa ou algo pior

...

eu te odeio porque eu te amo
e sei que isso não faz a menor diferença

mas eu te odeio muito mais
porque todo esse ódio que eu te dedico
nunca foi ódio, e nem saber ser
porque todo esse ódio é do ego pra fora,
uma forma odiosa de te bem querer.


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Vitor, o verme (o escritor amargo, sem escrúpulos, “corrompido pelo mundo”).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Poema ‘tosquinho’

Eu poderia pensar muitas coisas
pra escrever neste poema
assim como eu também poderia
escrever muitas coisas
querer dizer muitas coisas
e te levar a entender muitas coisas

mas este poema é o poema ‘tosquinho’
e só sabe contar que

eu poderia pensar muitas coisas
pra escrever neste poema
assim como eu também poderia
escrever muitas coisas
querer dizer muitas coisas
e te levar a entender muitas coisas.


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Paulo, o perturbado (o escritor maluco, que se autodenomina “experimentador da linguagem”.)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Carta suicida póstuma

Refaço
os passos
de minha vida,
e vejo que não há caminho:
tudo muito pouco, tudo morto,
triste, devagar, sozinho

em idas e vindas sem rumo
que não me levaram a nenhum lugar
e que me trouxeram de volta
sem rumo,
sem rima,
sem lar.

a criança que fui nem nasceu;
o jovem que cresceu não foi eu;
e o adulto
foi bruto:
morreu.

fui errando, errando e errando
e acabei errando ao tentar acertar
fui forçado a pagar o preço
de voltar,
e errar
e errar

errei tanto
que me olho com espanto
e vejo o erro que foi a vida começar.
sigo em frente, e meus passos me mostram
que errado era continuar.


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Cruz, o cadáver (o escritor que começa a escrever após cortar os pulsos na banheira de sua suíte. Escritor da vida, da morte e do tempo.)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O sentido da vida

O sentido da vida é gozar.

não no sentido que você está pensando aí,
no outro sentido da palavra mesmo,
o sentido da vida é sentir,
gozar
e sentir sem medo

a folha que cai no outono,
o soprar do vento no frio,
o florescer da primavera,
o calor, a alegria e o fio

de esperança que existe na vida,
de ser feliz e nada mais,
de que tudo se explique um dia
que a dor fique pra trás.

vem, meu bem, o gozo é livre,
livre e leve até demais... :

- goze.


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Da, a dama (a escritora que também é prostituta de profissão, que acredita no amor sincero e nas pessoas, apesar de seu preconceito, assim como o meu, não permitir compreendermos isso sem criar uma barreira “lógica” na cabeça).

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A queda tardia

Confesso que tentei evitar a queda,
e que não foi-me possível.
confesso que sai, dancei, bebi, perdi a razão
e fiz pactos macabros pra esquecer...

mas a poeira baixou,
o tiro no peito foi assimilado;
é chegada a hora de cair
e ter uma morte estúpida
como o vilão cretino do cinema.

no chão,
encontro o que perdi,
sinto o amargor do caminho,
e compreendo o que é sofrimento

se eu chorar agora, por favor, não tenha pena,
me deixe quieto no meu canto
que uma hora o choro passa...
só espere o castelo terminar de ruir
que passa.

sonhos bonitos,
amor verdadeiro,
guarda baixa,
peito aberto:

o ataque foi certeiro
e me derrubou de vez.

hoje, eu poderia ser um corpo,
e não mais que um corpo,
que luta miseravelmente
para se manter de pé

só que ainda hoje, eu me canso da idéia de uma nova luta,
e a luta miserável acaba sem começo

a desistência, ao mesmo tempo covarde,
ao mesmo tempo sensata,
é ainda ao mesmo tempo uma vontade suprimida de lutar até a morte por um sonho de amar por toda a vida
que nunca foi mais do que um sonho

o sorriso se põe,

abro os braços e viajo no ar feito um passarinho
por um instante:

- é chegada a hora do cair.


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Vitor, o verme (o escritor amargo, sem escrúpulos, “corrompido pelo mundo”).

domingo, 25 de outubro de 2009

Lembrança viva

Tentei lembrar de esquecer
e me esqueci de lembrar
que isso era besteira:

a minha lembrança vive,
e como tudo o que é vivo,
é também passageira.


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Paulo, o perturbado (o escritor maluco, que se autodenomina “experimentador da linguagem”.)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Beira mar

Eram quase seis da manhã
quando eu me sentei na beira da praia
pra olhar o mar,

o sol nascendo, as ondas, o tempo,
amar.

um barquinho lá longe leva embora
alguém que eu nunca vi
e a água traz pra perto
o movimento...

mas eu, ali parada,
apenas observo

e peço que essa mesma água me leve
e que me traga o amor
e que me permita afogar
sei lá...

só a areia que me suja o corpo entende
que há pureza no corpo sujo a sonhar

areia que vem
e que sai
sem deixar marca:

areia do mar.


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Da, a dama (a escritora que também é prostituta de profissão, que acredita no amor sincero e nas pessoas, apesar de seu preconceito, assim como o meu, não permitir compreendermos isso sem criar uma barreira “lógica” na cabeça).

sábado, 17 de outubro de 2009

Elegia do silêncio

Me sinto triste
por olhar pra frente
e não ver nada.

mas me sinto mais triste
por saber que isso é tão triste
e que não sou capaz de chorar a noite toda até soluçar
feito um bebê
por tanta tristeza.

estou morto,
e já não tenho sequer
o amargor da lamentação no meu peito.

e tudo é ausência.

e tudo o que me resta
é o nada.

o nada,
a ausência
e a triste canção do silêncio.


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Cruz, o cadáver (o escritor que começa a escrever após cortar os pulsos na banheira de sua suíte. Escritor da vida, da morte e do tempo.)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Por caridade

Eu dei uma coca-cola
pro mendigo que me pediu uma esmola,
mas aí, ele me pediu outra esmola
e eu chamei ele de pidão.

veja só, ora bolas,
todos sabem
que coca-colas
não dão em árvore não.


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Floriano, o feliz (o escritor imaturo, de vocabulário embotado, preso a tradições e a visões de mundo do censo comum.)

domingo, 11 de outubro de 2009

Aniversário do blog

*Prezado leitor, hoje esse blog aqui completa seu primeiro ano no ar (ainda que tenha ficado meio sem postagens nos últimos tempos...), e eu gostaria de agradecer a todos os que já passaram por aqui pela atenção e pelo carinho, não por educação, por gratidão mesmo. Bem, escolhi um poema pra postar hoje pra comemorar essa data, o primeiro que postei neste blog (já apagado, assim como todos as postagens que antecederam as postagens dA FALANGE), de nome "Depois das cinzas a vida". Perdoe o saudosismo e a redundância, mas hoje tudo o que eu sinto de bom é saudade. Estou meio de luto porque é hoje também a data da morte de um grande ídolo de minha adolescência, o célebre Renato Russo. Estou triste por uma porção de outras coisas, mas com esperança de que as coisas melhorem um dia ainda. Segue abaixo a postagem:

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Depois das cinzas, a vida

postagem original: 11/10/2008.

Um sorriso é sempre bem vindo
mesmo quando você está cansado
depois de um dia chato,
em que ninguém reparou no que você fez.

mesmo quando sobra motivos pra chorar
em meio a tanta dor e desgraça
que a vida nos apresenta
a toda hora.

um sorriso é sempre bem vindo.

não que os dentes tenham um poder sobrenatural
ou que assim tudo se resolva,
mas sorrindo você abre horizontes,
abre o peito de si mesmo
e de outros bichos homens
que estando abertos podem ser tocados,
podem ser mudados
estarem lado a lado.


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Paulo Vitor Cruz, o mentor dessa doideira toda.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Apresentação cretina do verso

Isso é apenas um verso
verso um
apenas
é isso

um verso isso
apenas
é.


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Paulo, o perturbado (o escritor maluco, que se autodenomina “experimentador da linguagem”.)

Tara noturna número 2

Você chega perto e me fala
coisas vulgares ao pé do ouvido,
mas eu te olho e digo
que é melhor não...
estou meio confuso
e não quero te enganar.

você brinca com a minha orelha,
e me diz que o engano só existe
pra quem espera alguma coisa...
mas eu te olho e digo
que é melhor não...

você me arrasta dali, me leva pra casa,
e diz que a gente deveria mesmo era se enganar um pouco...
eu não digo nada...

...

a sua safadeza é tão safada
que me soa, safadamente,
como uma forma sórdida
de santidade.


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Vitor, o verme (o escritor amargo, sem escrúpulos, “corrompido pelo mundo”).

O meu jeito de ser

Não importa o que aconteça, eu sempre vou ser eu mesmo.
não vou ser o que as pessoas querem que eu seja.
eu já tenho a minha opinião sobre todas as coisas;
só pra te dar um exemplo, eu não gosto de ler a revista veja.

gosto de carne de porco e de boi,
e gosto mais ainda de macarrão com catchup.
não dispenso uma cervejinha com futebol,
e sou muito fã mesmo de bala de tutti-frutti

e eu não gosto de muitas outras coisas
e gosto de muitas outras coisas também.
mas a gente muda o tempo todo
até chegar a hora da gente ir pro além.

é por isso que eu digo que a gente precisa dos outros
e os outros também precisam da gente.
eu até mudaria o meu jeito de ser por um amigo
pois, os amigos são o mais importante sempre.


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Floriano, o feliz (o escritor imaturo, de vocabulário embotado, preso a tradições e a visões de mundo do censo comum.).

Meus sonhos de menina

Me preparo pra me vender mais uma vez:
vendo o corpo,
vendo o tempo,
mas não vendo o coração...
as vezes eu quero,
e até tento,
mas não vendo o coração.

ainda sonho com um dia bonito,
com uma valsa,
com um amor
e com uma festa grande, alegre e bonita
de quinze anos...

as vezes acho que eu sonho demais...

o tempo passa, meus quinze anos passam,
e eu continuo me vendendo;
e permaneço viva,
caminhando sem rumo
entre o inferno e o céu,

um céu que só vejo existir quando
transponho meus sonhos para o papel.


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Da, a dama (a escritora que também é prostituta de profissão, que acredita no amor sincero e nas pessoas, apesar de seu preconceito, assim como o meu, não permitir compreendermos isso sem criar uma barreira “lógica” na cabeça).

Eterno e estranho

Me foi preciso morrer
pra saber
que o amor é eterno.
o amor, o medo, a tristeza e a felicidade...
é tudo eterno.

estranhamente,
eu ainda amo com a mesma força,
amo sem poder ir até meu amor (a morte tem dessas coisas...),
sem poder voltar com ele de mãos dadas pra casa...

e ainda tenho medo:
medo que meu amor
nunca tenha de fato me amado;
medo de que eu tenha perdido muito tempo
me perguntando sobre isso,
enquanto me era possível amar...

a minha tristeza por certas coisas que me aconteceram em vida,
também ainda existe...
sempre que me lembro, ela retorna, vivinha da silva...

a minha felicidade também...
parece não morrer a felicidade daquele dia em que eu tomei chuva só pra correr atrás dela, como se a gente ainda fosse criança...

estranhamente, aquela alegria ainda existe,
estranhamente... da mesma forma que é
eterno e estranho, o sentimento:
- Tem essa estranha mania
de não pertencer ao tempo.


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Cruz, o cadáver (o escritor que começa a escrever após cortar os pulsos na banheira de sua suíte. Escritor da vida, da morte e do tempo.)